
Há uns dias, numa ida à biblioteca, vi uma colecção de diários de Miguel Torga. Decidi tirar um aleatoriamente, acabei de o ler ontem. Diário XII (17 de Maio de 1973 até 22 de Junho de 1977). Um acaso feliz este. Estava a precisar de ler isto.
Coja, 9 de Dezembro de 1973
É escusado. Não posso ter outro partido senão o da Liberdade.
Coimbra, 25 de Abril de 1974
Golpe militar. Assim eu acreditasse nos militares. Foram eles que, durante os últimos macerados cinquenta anos pátrios, nos prenderam, nos censuraram, nos apreenderam e asseguraram com as baionetas o poder à tirania. Quem poderá esquecê-lo? Mas pronto de qualquer maneira é um passo. Oxalá não seja duradoiramente de parada.
Coimbra, 28 de Outubro de 1976
Não compreendeu a minha lógica. Paciência. Como os demais, queria apenas utilizar o poeta. Mas isso é que não. Se numa tirania ele é forçado a combater numa democracia não é obrigado a aplaudir...Mal vai a democracia que precisa de utilizar os artistas como cabeças de turco. Deve sim, proporcionar-lhes todas as condições de livre e descompromotida expansão. O que não é um favor, mas um privilégio que a razão reconhece a qualquer homem.
Coimbra, 27 de Abril de 1977
A sedução do poder! O deleite com que o saboreiam muitos dos que há pouco juravam abominá-lo!
Coja, 9 de Dezembro de 1973
É escusado. Não posso ter outro partido senão o da Liberdade.
Coimbra, 25 de Abril de 1974
Golpe militar. Assim eu acreditasse nos militares. Foram eles que, durante os últimos macerados cinquenta anos pátrios, nos prenderam, nos censuraram, nos apreenderam e asseguraram com as baionetas o poder à tirania. Quem poderá esquecê-lo? Mas pronto de qualquer maneira é um passo. Oxalá não seja duradoiramente de parada.
Coimbra, 28 de Outubro de 1976
Não compreendeu a minha lógica. Paciência. Como os demais, queria apenas utilizar o poeta. Mas isso é que não. Se numa tirania ele é forçado a combater numa democracia não é obrigado a aplaudir...Mal vai a democracia que precisa de utilizar os artistas como cabeças de turco. Deve sim, proporcionar-lhes todas as condições de livre e descompromotida expansão. O que não é um favor, mas um privilégio que a razão reconhece a qualquer homem.
Coimbra, 27 de Abril de 1977
A sedução do poder! O deleite com que o saboreiam muitos dos que há pouco juravam abominá-lo!