Camané tem novo disco e isso é sempre bom! Adoro a voz dele, mas gosto sobretudo da forma como canta. Algumas das músicas continuam a arrepiar-me como se as estivesse a ouvir pela primeira vez. Hoje enfureci-me quando numa reportagem diziam que ele era a nova Amália Rodrigues, estas comparações irritam-me! E esta chega a ser patética. Se as pessoas são boas no que fazem porque é que não usam adjectivos para descrevê-las, porque raio vão desenterrar pessoas incomparáveis. Ele também é incomparável. Daqui a uns anos surge um fadista novo e lá vão dizer que é o novo Camané... A Amália era excelente, o Carlos do Carmo é fabuloso, o Camané é extraordinário. Os adjectivos são pequeninos e desinteressantes, mas eles não e cada um é único!
Ando a trabalhar num quadro novo e isso deixa-me sempre num estado de (in) segurança bipolar. Este é o maior que já fiz (140x100). Acordo vou vê-lo e começo a trabalhar, depois a coisa parece que vai, quando a luz natural acaba fico a olhá-lo e a pensar no que ainda tenho que fazer. Antes de dormir vou bisbilhotá-lo, como se ele fosse outro, como se de um retrato de Dorian Gray se tratasse. Deito-me a pensar "não está bom, mas amanhã ele vai ver!" e na manhã seguinte, talvez perante a ameaça da noite anterior, já não me parece que esteja tão mal. E o pior ainda está para vir, quando terminar. Quando é que um quadro está terminado? Um professor de desenho dizia-nos: "um desenho está terminado quando vocês se apercebem que já o estragaram". Estava portanto terminado antes de o estragarmos. Vou tentar não estragar este!




















